live and let live


somebody get me out of here

Continuo fingindo não me importar. Não falo sobre, procuro não me informar a respeito da tua vida, evito citar teu nome e peço que não citem também. Já me acostumei. Me acostumei a fingir, mas não me acostumei a não te ter mais. Todos os dias me pergunto como tu estará, com quem, onde; se anda estressado, nervoso, ansioso; se ainda tem as mesmas manias, vícios, qualidades e defeitos; como vai tua família, amigos e animal de estimação. Será que sente minha falta? Será que também pensa em mim antes de dormir? Será que lembra de mim ao ouvir nossas bandas favoritas? Será que ainda sorri lembrando dos momentos que passamos juntos? Provavelmente não. Mas não importa. Mesmo que não comigo, só quero que tu sejas feliz. Sinto saudades, tua ausência machuca…

Sinto tua falta. Todos os dias, todos os minutos, a cada segundo. Sinto sua ausência em todo lugar pro qual olho, cada objeto, todos os pensamentos voltados a ti. Locais frequentados, musicas ouvidas, frases ditas. Sinto falta do teu cheiro, teu sorriso, tua risada; sinto falta do teu tom irônico, do modo como tu pronunciava meu nome quando bravo, dos teus pequenos ataques de ciúmes; sinto falta de ti. Posso parecer forte, tento evitar mostrar meu sofrimento, evito falar e pensar sobre ti, mas simplesmente não consigo. Todos meus pensamentos me levam a ti, todas as historias que escuto me lembram de ti, todas as musicas que ouço me fazem pensar em ti. Depois de dias, meses sem te ver, te reencontrar foi bom, me fez bem. Sentir teu abraço mais uma vez, ouvir tua voz, sentir teu cheiro. Ver tua preocupação, tuas angustias, teu nervosismo e tua ansiedade de novo. Ouvir o teu clássico “como tu ta?” e saber que tu realmente te importa em saber como eu estou, que não é só da boca pra fora. Te ver foi bom, realmente me deixou feliz. Infelizmente, também me deixou triste. Triste pois sei que esse foi um encontro que não se repetirá tão brevemente, triste pois sei que terei que agüentar muitos outros dias sem ti. Mas o que mais me deixou triste foi não conseguir te abraçar, retribuir o abraço que tu me deu, porque eu sabia que se eu o fizesse, não iria mais te deixar ir.

É esse meu jeito de dizer tudo em meio ao silêncio que tanto te incomoda, não é? Eu sei, mas sempre acreditei que o silêncio diz mais do que qualquer palavra. Você precisa entender isso, meu bem. Tudo aquilo que não sai da minha boca eu esvazio em um olhar. E eu sei, isso é mais do que um defeito, é insuportável. Dizer não quando se quer dizer sim, fugir daquilo que provavelmente te faria feliz. Mas fazer o quê, pessoas são complicadas, sentimentos mais ainda. Se lembra daquele dia em que te disse que nunca havia sentido nada por você? Bem, eu dizia a verdade. Nunca senti nada como o que senti por você, nada. Você foi furacão, tornado, tempestade. Me devastou e eu não consegui controlar. Nunca fui boa em expressar o que eu sinto, então acho que a forma mais fácil de te ter ao meu lado foi tentar te afastar de todas formas. Recusei os seus abraços enquanto desejava todas as noites por eles. Disse que odiava o seu perfume e você nem imagina que fui na loja comprar um igual para poder sentir seu cheiro quando quisesse. Cruzei meus braços e disse que não poderia fazer nada, enquanto passava noites pensando em uma solução para ficarmos juntos. Emburrada, mimada e idiota. Mas você também sabe disso, não é? Quando nos conhecemos já dei logo um jeito de te afastar, de fazer com que você não gostasse de mim. É uma mania que tenho; já digo logo de cara todos os meus defeitos e afasto de mim aqueles que não podem suportar pessoas tão imperfeitas. Mas você não, você… Abriu um sorriso e disse que sabia que por trás de todas minhas armaduras existia uma garota linda. Uma garota meiga, sensível e que acreditava no amor. Sabe que nesse dia até eu cheguei a acreditar nisso? Você me deu esperança, você me fez acreditar em alguém que há muito tempo estava morta dentro de mim. Me manter distante de pessoas que queria ao meu lado foi algo que sempre fiz. E eu gosto do efeito que você faz em mim. Me desarma, vê através da armadura. Sabe que por trás da minha cara de emburrada existe um sorriso gritando por você estar ao meu lado. Sabe que por trás de todas minhas tiradas e meus comentários irônicos existe uma garota que te admira e acha graça das suas piadas sem graça. Também sabe que por mais que eu diga que não acredito em casamento, sonho com o dia em que eu vá entrar no altar com você. E aos poucos me fez ceder, abrir a guarda… Deixei que você entrasse mas não fizesse bagunça. Não precisei mostrar nada, você apenas percebeu. Ei, escute o barulho que o silêncio faz. É, não tem jeito. Seu sorriso e sua camisa xadrez não saem da minha cabeça. Gosto de pensar em você o dia inteiro para quando te encontrar não parecer tão empolgada e estúpida. Eu tenho parecido empolgada e estúpida? Esse meu jeito fria de ser é apenas um chamado para que você me esquente. Essa minha vontade de ser sempre livre é apenas meu coração querendo se prender a alguém. Essa minha cara emburrada às vezes se transforma em sorriso. A falta de mensagens no seu celular é a confusão de sentimentos que se encontra em minha cabeça. O meu desinteresse é apenas uma forma de não parecer tão apaixonada. Sabe os dias em que fiquei ausente? Estava tentando te dar um espaço para pensar melhor, sei lá, vai que você ainda pensa em desistir? Garotas complicadas não são exatamente o que todo cara quer para si. Mas você sempre volta, você sempre me procura. Se lembra do dia em que chorei e disse que não acreditava no amor? E você disse que eu não precisava acreditar no amor, precisava acreditar em nós. E eu acredito. Depois de tantas idas e vindas, tantas palavras não ditas e declarações por fazer, você merece saber. É, acho que tenho que te agradecer. Posso não ser a típica princesa que espera seu final feliz; mas quem acredita em felizes para sempre quando se vive feliz no tempo presente? Eu sou uma bagunça que só você pode arrumar, uma muralha escondendo o lado doce que só você conseguiu pular. Eu passo quieta por você, você passa quieto por mim e eu ainda escuto o barulho que a gente faz.

can I?

can I?